Jean Carlo Emer

2016 e o estado do desenvolvimento front-end

Há algum tempo reflito e tenho intenção de escrever um texto a respeito das ferramentas e tecnologias utilizadas no desenvolvimento front-end. Mas no fundo, sempre batia uma preguiça e nada me motivava o suficiente a botar a bunda na cadeira e escrever. Eis que surge o artigo The Sad State of Web Development (que foi recentemente apagado) e cá estou pra retrucar.

Vamos começar deixando algo bem claro: eu não considero o JavaScript uma linguagem tecnicamente extraordinária. Porém o ecossistema, liberdade e ubiquidade que a linguagem alcançou não tem precedentes. JavaScript é a linguagem mãe da Web. Qualquer profissional que pensa em passar perto de desenvolvimento para a Web precisa respeitar e dominar JavaScript.

A questão mais polêmica em volta do desenvolvimento front-end parece residir no fato das tecnologias nascerem e morrerem com uma certa frequência. Isto gera uma insegurança a respeito de qual tecnologia adotar em um novo projeto. Sem falar que, aprender tanta coisa em um espaço tão curto de tempo incomoda muita gente. O que poucos observam é que Web é a plataforma que mais evolui nos últimos anos. Não há tecnologia que tenha evoluído tanto, de forma aberta, e em tantas frentes. Lembre-se que a Web é a única plataforma que funciona adequadamente no seu celular, tablet e desktop.

Criar projetos que estejam alinhados com tamanha evolução de hardware e usuários ávidos por experiências impecáveis exige o surgimento e amadurecimento de soluções e ferramentas mais inteligentes. Acreditar que um projeto de Web vai durar anos mantendo um visual grosseiro e sem (re)evoluções é apostar em interfaces como a do Hacker News.

A medida que os projetos se tornam cada vez mais complexos, é uma tremenda burrice escrever código JavaScript sem nenhum padrão ou auxílio de tecnologias modernas. Mesmo no dia-a-dia, refatorar e aprimorar código adotando uma nova biblioteca ou framework pode trazer grandes benefícios. As ferramentas e tecnologias utilizadas invariavelmente influenciarão na experiência do usuário. Pronto, é por isto que a cada dia alguns desenvolvedores reinventam a roda: para que ela gire melhor.

Ir contra a adoção de tantas novas tecnologias é nadar contra a maré. Reflita se não pode ser preguiça sua ou mesmo desinformação. Saber a dose certa do uso de novas tecnologias é um grande desafio, mas antes disto é preciso entendê-las e aprendê-las. Pra quem só conhece martelo, tudo parece prego. Um 2016 de novos aprendizados para todos nós!